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5 de setembro de 2007

Puxar a brasa à minha sardinha

Quando me perguntam pelo Xavier e digo que já está no Berçário a pergunta seguinte é sempre "E como é que se está a dar?"
Não me importo nada com a pergunta, mas reparei que ninguém me pergunta como me estou eu a dar. Excepto o "Índio", hoje.
Ora se o bébé está 24h por dia com a mãe durante 5/6 meses, os dois vão ressentir-se com a ausência.
Tudo bem que ele é pequeno e não percebe o que lhe está a acontecer, mas a mãe percebe e não será por causa disso que custa menos.
É passar duma situação em que se tem companhia 24h por dia, para um dia completamente diferente.

4 de setembro de 2007

Not a fashion victim II



Ganhei coragem e lá fui às compras.

O Forúm Montijo de manhã é fantástico.

Entrei em várias lojas e fui a zonas onde nunca vou (tem saias ou vestidos e eu passo longe).

Acabei na Massimo Dutti. Uma funcionária muito simpática deve-me ter achado perdida a ver vestidos e veio oferecer ajuda. Apareceu com o vestido da foto afirmando que achava que me ficaria muito bem.




Eu sei que não se vê bem, mas vão à loja e vão ficar apaixonadas. CS se lá fores não leves carteira.

E ficava! Mas há sempre um senão. Uns problemas hormonais impedem, temporariamentemente, que caiba no meu número habitual e o número acima fica grande.

Gostei tanto do padrão que acabei por comprar um top com calças a condizer.

Agora faltam os sapatos.

Aceitam-se sugestões!

3 de setembro de 2007

not a fashion victim ....



Desespero ...
já não bastava ter que largar as t-shirts e as calças de ganga no regresso ao trabalho, ainda vou ter que inventar uma indumentária digna da "Quinta da Pacheca".

Ai Lufinha, as dores de cabeça que me arranjas!

Socorro!!!!!

21 de maio de 2007

De mim para mim



Um homem corre na noite é uma imagem banal
podia ser em Madrid ou Johanesburgo, ou em S. Paulo
ou Budapeste, Nova Iorque ou Hollywood
ou é claro em Portugal um homem corre na noite
é uma imagem banal.

Porque foge? De onde vem?
porque olha para trás inquietado?
será soldado? vagabundo? criminoso? ratoneiro?
será apenas o primeiro dos que vão fugir com ele?
foge p´ra salvar a pele só a sua? a pele dos outros?
a pele clara ou a escura?
quanto tempo vai durar a sua fuga?
quanto dura? o que espera?
o que espera o homem- fera se chegar a quem o espera?
alguém o quer? alguém se acende alguém o chora?
alguém por quem ele chorou chorará por ele agora?
alguém que nunca o trairá e se sim, onde será?

Um homem luta contra o sangue que derrama e diz: valeu a pena?

Que os barcos voltem a subir o Guadiana vindos de longe do mar

Que os barcos voltem a subir o Guadiana descarregando à passagem
todo o trigo que o cavalo esbaforido chegue à relva, sua cama
que o fugitivo encontre seu porto de abrigo

Um homem corre na noite é uma imagem banal
esgueirado de holofotes com a estrada que atravessa
se confunde com o breu o seu corpo
se confunde
e se passa num muro branco fica branco como a cal
tal e qual o camaleão
é uma imagem banal

Um homem luta contra o sangue que derrama em que cama terá ele o seu repouso?
está ansioso? e como não?
não estaria quem pisasse um desconhecido chão?
não estaria de garganta afogueada quem por nada assim fugisse?
quem por tudo suplicasse dai-me forças, dá-te forças a ti próprio te confias
dá-te alento, dá-te tempo dá-te dias sobrevive de agonias respirando sobrevives
sobrevive

Um homem vive contra o sangue que derrama e diz: vale a pena?

Que os barcos
voltem a subir o Guadiana ...

Um homem corre na noite é uma imagem banal
porque insiste? porque teima?
não há pânico na rua não há fogo no quintal
labaredas? só nas camas dos amantes já distantes
chegam ruídos, utopias
quanto vale uma utopia?
vale tudo? quanto vale?
um homem corre na noite é uma imagem banal

O que fez o fugitivo? porque corre?
se está vivo é porque morre se morrer é porque o matam
se o matarem ,será justo?
inocentes são os culpados de outros crimes
de que culpa?
de paixão? de inconsciência?
será justo ou não será desbaratar a inocência tão a custo conquistada?
porque corre o fugitivo nessa estrada?

E agora para para agora o homem para
para agora para agora
será que sente que chegou a sua hora?

É impossível não é possível correr tanto e pensar tão lucidamente
o coração não aguenta a cabeça também não
porque tenta ultrapassar os seus limites?
provavelmente é por vontade de viver
(quente quente ...)
que ultrapassa os seus limites
«Estamos quites!» diz para o seu coração
«Ainda não, ainda não ... sentes que valeu a pena?
se te obrigam a fugir mais te obrigam a chegar junto de ti
valeu a pena?»
O Fugitivo
Sérgio Godinho